Anvisa aprova remédio que reduz crises de lúpus e o uso de corticoide, mas acesso pelo SUS e planos de saúde ainda é incerto
Novo remédio para lúpus é aprovado Reprodução A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta terça-feira (13), o uso do obinutuzumabe, vendido como Gazya, em adultos com lúpus eritematoso sistêmico ativo de moderado a grave que já fazem o tratamento padrão.
O remédio é conhecido pelo uso contra linfomas e leucemia e, desde janeiro, tinha indicação também para a nefrite lúpica, a inflamação nos rins provocada pela doença.
Não se trata de uma substância nova, e sim de uma nova indicação para um produto já registrado no país.
Ainda assim, o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, Valderílio Feijó Azevedo, considera a decisão um avanço relevante.
Em entrevista ao g1, ele afirma que a estratégia de eliminar um tipo de célula de defesa era antiga e plausível para o lúpus, mas fracassou durante anos nos testes com outro medicamento da mesma família, o rituximabe, muito usado fora da bula.
O obinutuzumabe é o primeiro dessa linha a ter estudos de fase 3 positivos tanto na nefrite lúpica quanto nas formas da doença que não atingem os rins.
Viver com lúpus: a luta diária contra uma doença invisível; cada dia é um desafio Célula eliminada na origem do problema No lúpus, o sistema imunológico produz anticorpos contra componentes do próprio organismo, e eles inflamam pele, articulações, rins, sangue e sistema nervoso.
Esses anticorpos nascem de células de defesa chamadas linfócitos B, e é nelas que o obinutuzumabe age: ele as destrói de forma mais profunda e duradoura do que o rituximabe, segundo o especialista, inclusive nos tecidos, e não só no sangue.
Outros medicamentos biológicos usados no lúpus atuam por caminhos diferentes.
O belimumabe corta um sinal de sobrevivência dessas células, e o anifrolumabe bloqueia a ação de uma substância que mantém o sistema imune em alerta.
O esquema também é distinto: depois de quatro doses no primeiro ano, o paciente elegível pode passar a receber infusões a cada seis meses, em ambiente ambulatorial ou hospitalar.
Menos crises e menos remédio de efeito pesado No estudo que embasou a indicação para o lúpus fora dos rins, publicado em março na revista científica New England Journal of Medicine, cerca de três em cada quatro pacientes que receberam o obinutuzumabe tiveram melhora da atividade da doença após um ano, contra pouco mais da metade no grupo placebo.
A remissão chegou a um terço dos tratados, mais que o dobro do observado com placebo, e o risco de novos surtos foi menor.
O efeito sobre o corticoide pesa tanto quanto o controle das crises.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1.