Porta-voz demitida após cinco dias no cargo elogia Trump: 'Foi uma honra'
Katie Zacharia, ex-secretária de imprensa da Casa Branca, publicou um elogio a Donald Trump depois de ser dispensada do cargo apenas cinco dias após assumir a função .
Zacharia descreveu Trump como um homem "gentil, maravilhoso, gracioso, atencioso, entusiasmado e trabalhador". "Eu queria que mais americanos o valorizassem. Ninguém vai tornar a América grande do jeito que ele fez e continua fazendo. Foi uma honra trabalhar para ele", escreveu.
A publicação também atraiu respostas com acusações e xingamentos ao presidente e à ex-porta-voz. "Donald Trump é um pedófilo e você é patética", escreveu uma pessoa.
Outros perfis reagiram com deboche ao curto período em que Zacharia ficou no cargo e com ataques pessoais. "Dá para considerar cinco dias como 'trabalhar para ele??' Ele te humilhou e você ainda está elogiando. Isso é triste", afirmou outro.
Zacharia deixou o posto de secretária de imprensa cinco dias depois de assumir a função, após uma estreia marcada por críticas e questionamentos. Na ocasião, Trump disse a jornalistas que havia sugerido que ela reconsiderasse a permanência por causa da pressão do cargo.
Antes de chegar à Casa Branca, Zacharia atuava na área de comunicação política e passou pela Trump Media, ligada à rede social Truth Social. Ela havia sido anunciada para substituir Karoline Leavitt, que deixou a função em agosto para se dedicar à família e passou a trabalhar como comentarista da Fox News.
A primeira coletiva ocorreu na terça-feira (13). Zacharia respondeu a perguntas de jornalistas de três veículos antes de encerrar a entrevista, que durou menos de 15 minutos. A condução da coletiva foi criticada por comentaristas e analistas de mídia. Em um dos momentos, ela trocou as palavras "marido" e "presidente" ao falar sobre a conciliação entre a vida familiar e as responsabilidades do cargo.
Zacharia admitiu que não passou no exame da Ordem dos Advogados da Califórnia. Formada em Direito pela Universidade Pepperdine, ela confirmou em entrevista à Fox News, na quinta-feira (15), que foi reprovada no exame e nunca voltou a prestá-lo. Nos Estados Unidos, o diploma de direito não autoriza automaticamente o exercício da advocacia: é necessário obter licença profissional.
A controvérsia envolve a forma como ela se apresentou profissionalmente. Trump a descreveu como advogada ao anunciar sua nomeação. Zacharia também usou esse título em aparições na televisão e nas redes sociais. A Reuters informou que não encontrou registros de que ela tenha sido habilitada a exercer a advocacia em algum estado americano ou no Distrito de Colúmbia.
Ela defendeu sua experiência jurídica. Zacharia afirmou ter trabalhado com transações jurídicas internacionais e sustentou que sua formação e experiência permitiam que se apresentasse como advogada, embora não tivesse licença para exercer a profissão nos Estados Unidos. Ela também disse que poderia oferecer análises jurídicas, mas não consultoria jurídica. Especialistas questionaram essa interpretação.
A passagem pela China também entrou no debate. Após se formar, em 2011, Zacharia trabalhou no escritório de advocacia Zhong Lun, em Pequim, entre 2011 e 2013, segundo seu perfil profissional.
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