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Fidel Castro, a informática e o lugar da tecnologia no socialismo

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Fidel Castro, a informática e o lugar da tecnologia no socialismo

A Coluna Inteligência Coletiva do Sul sistematiza reflexões e experiências que movimentos populares, governos socialistas e intelectuais orgânicos do Sul Global desenvolvem em torno de novas qualidades das forças produtivas na dimensão digital, em perspectiva soberana e emancipatória. Coluna editada por Tica Moreno.

Em 19 de abril de 1965, num discurso em Playa Girón, Fidel Castro falou pela primeira vez sobre computadores. Os computadores do Pentágono e da CIA, disse ele, haviam fracassado ao prever a derrota da invasão mercenária porque não sabiam medir “a dignidade, a moral e o espírito revolucionário do nosso povo”. A computação entrava no vocabulário da Revolução como instrumento do inimigo.

Vinte e dois anos mais tarde, Fidel se dirigiu à juventude dizendo: “O socialismo vai ser muito difícil de construir plenamente sem a computação, porque necessita dela ainda mais do que a sociedade capitalista”. Fidel construiu uma estratégia socialista da tecnologia partindo de pressupostos que afirmou reiteradamente: a tecnologia nunca é neutra e a informática é uma questão de soberania.

Esse texto foi inspirado nos relatos compartilhados no painel sobre o legado de Fidel Castro na informática*, que aconteceu no dia 12 de agosto, durante o Colóquio de celebração do centenário de Fidel, em Havana, Cuba .

Antes de 1959, a informática cubana era, como quase toda a economia da ilha, propriedade de empresas estadunidenses. Cuba abrigava o centro técnico da IBM para toda a América Central e o Caribe. Quando a Revolução triunfou e começou a nacionalizar o que era do povo, Washington respondeu com o início do bloqueio. As empresas se retiraram e levaram consigo os especialistas, os técnicos, os manuais, o direito a comprar qualquer equipamento ou informação. Estava montado, ali, um bloqueio tecnológico que integra há mais de 60 anos o bloqueio econômico.

Fidel formulou duas perguntas que atravessariam a informática cubana por décadas: como conseguir computadores para o país; e se Cuba seria capaz de desenvolver a sua própria tecnologia.

A primeira resposta veio da geopolítica: gestões pessoais de Fidel abriram caminho para a entrada de computadores franceses de segunda geração, CA4000, com Charles De Gaulle, que se recusou a ceder às pressões dos Estados Unidos. Mas a segunda resposta veio de dentro. Quando um cientista estrangeiro que prometeu ajudar a montar um computador com peças importadas declarou a tarefa impossível, Fidel devolveu o problema à Universidade de Havana como um desafio: seria possível construir um computador sem depender de peças importadas? Um coletivo de jovens engenheiros, físicos e matemáticos assumiu a tarefa e, em cerca de um ano, entregou o resultado.

Em 1970, Fidel presidiu a apresentação da CID 201, primeiro computador construído em Cuba. Nesse dia, ele disse que a informática seria “poderosíssima força científica, econômica e até política”. Poucos anos depois, aquele mesmo centro exportava equipamentos para a própria União Soviética.

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