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Política

Campanha de Lula usa música de Bad Bunny em propaganda eleitoral

Por Redação 5News · · com informações de Poder360

Campanha de Lula utiliza música de Bad Bunny em peça de propaganda eleitoral sobre soberania

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou, na quarta-feira do dia 23 de setembro de 2026, um anúncio eleitoral que incorpora uma versão adaptada da faixa "Lo Que Le Pasó a Hawaii", composta e interpretada pelo artista porto-riquenho Bad Bunny. A escolha da canção não é aleatória: trata-se de uma música integrante do disco "Debí Tirar Más Fotos", que conquistou o prêmio de Melhor Álbum do Ano na cerimônia do Grammy em 2026, consolidando o reconhecimento internacional do trabalho. A estratégia comunicativa centra-se na defesa da soberania nacional, uma das principais bandeiras erguidas pelo presidente desde o acirramento das relações com o governo dos Estados Unidos, especialmente com o presidente americano Donald Trump. A apropriação criativa da música transforma seu significado original para ressoar com a agenda política brasileira contemporânea.

A adaptação e a mensagem política

Na versão utilizada pela campanha, a letra foi reformulada para dialogar com questões específicas do Brasil. O trecho "Querem as terras-raias, querem que a gente saia" funciona como o núcleo simbólico do anúncio, estabelecendo uma conexão entre as ameaças à soberania expressa na música original e os desafios enfrentados pelo país atualmente. A composição original de Bad Bunny aborda temáticas de gentrificação e deslocamento forçado de comunidades porto-riquenhas, além de fazer referência ao processo histórico através do qual o arquipélago do Havaí foi incorporado ao território norte-americano. A canção, em seu contexto inicial, trata das consequências de processos de colonização e apropriação territorial perpetrados por potências estrangeiras.

A campanha brasileira reelaborou a mensagem para fazer referência às riquezas naturais e ao risco de espoliação de recursos. A narrativa propõe um paralelo entre situações de subjugação e perda de controle sobre bens estratégicos. Segundo a versão divulgada, os versos passam a ser: "Querem tomar o rio e também a praia. Querem as terras-raias, querem que a gente saia. Não, não, não largue a bandeira, não esqueça o que eu vivi. Não quero que façam contigo o que eles fazem por aí". Esta reformulação inserida pela campanha presidencial translada o significado da obra artística para o campo das negociações internacionais sobre recursos minerais e soberania econômica.

O debate sobre terras-raras e recursos naturais

As terras-raias mencionadas na peça propagandística referem-se a um conjunto de elementos químicos essenciais para a tecnologia moderna. Esses minerais são componentes fundamentais em dispositivos eletrônicos, painéis solares, turbinas eólicas e equipamentos militares. O Brasil é detentor de uma parcela significativa das reservas mundiais desses elementos, o que torna o país uma potência em geopolítica de recursos naturais. A exploração e o controle sobre esses materiais configuram-se como questões estratégicas no cenário internacional contemporâneo.

O presidente Lula tem se posicionado de maneira enfática sobre como essas riquezas devem ser gerenciadas. Durante seu discurso proferido na 81ª sessão plenária da Organização das Nações Unidas, o chefe do Executivo federal brasileiro apresentou um projeto de exploração que confere prioridade aos interesses nacionais. De acordo com a sua fala diante da assembleia geral da instituição internacional, a extração desses minerais precisa gerar benefícios que permaneçam no território nacional e fortaleçam a economia brasileira como um todo.

A proposta apresentada estabelece três eixos principais como contrapartidas indispensáveis para qualquer acordo relativo à exploração de terras-raias. O primeiro envolve a geração de valor agregado em solo brasileiro, transformando a matéria-prima em produtos de maior complexidade e valor econômico antes de sua exportação. O segundo pilar contempla a transferência de conhecimento tecnológico, permitindo que especialistas e instituições nacionais desenvolvam capacidades próprias de pesquisa e inovação nesse setor. O terceiro, não menos importante, diz respeito ao abastecimento de indústrias estratégicas nacionais, assegurando que setores considerados vitais para a segurança e desenvolvimento do país tenham acesso garantido a esses insumos críticos.

Contexto: a relação com os Estados Unidos e as tensões comerciais

A escolha de Bad Bunny e sua música para uma campanha sobre soberania não emerge em vácuo político. A relação entre Brasil e Estados Unidos tem enfrentado momentos de tensão significativa, particularmente após a posse do presidente americano Donald Trump e seu retorno ao poder. O governo de Trump historicamente privilegia uma abordagem mais protecionista e assertiva nas negociações comerciais internacionais, frequentemente utilizando mecanismos como tarifas e restrições comerciais como ferramentas de política externa.

A administração brasileira identificou nesse cenário uma ameaça potencial aos seus interesses econômicos e à sua capacidade de decisão autônoma sobre seus próprios recursos. A mensagem presente na campanha reflete uma estratégia de comunicação que busca mobilizar o eleitorado em torno da ideia de defesa nacional e proteção dos patrimônios coletivos contra possíveis ingerências externas. A utilização de uma figura artística internacional e contemporânea como Bad Bunny amplia o alcance e a ressonância da mensagem junto a públicos mais jovens e urbanos.

Bad Bunny consolidou-se como uma das maiores figuras da música urbana latino-americana das últimas décadas. Sua obra frequentemente aborda temas sociais, políticos e questões relacionadas à identidade cultural das comunidades caribenhas. O álbum "Debí Tirar Más Fotos" marca um ponto de maturidade artística em sua trajetória, reconhecido pela academia internacional da indústria musical através do prêmio concedido em 2026. A faixa específica escolhida pela campanha brasileira já carregava em si um conteúdo político e uma crítica a processos de marginalização e espoliação, o que oferecia uma base sólida para a reinterpretação realizada.

O que acompanhar

A estratégia comunicativa adotada pela campanha presidencial abre espaço para uma série de possíveis desdobramentos políticos e diplomáticos. A reação do governo norte-americano ao uso de uma mensagem que apela para a defesa da soberania brasileira em relação ao acesso a recursos naturais pode configurar-se como um indicador das dinâmicas das relações bilaterais nos próximos períodos. Também será relevante observar como a mensagem ressoa junto ao eleitorado brasileiro e se consegue mobilizar apoio em torno da agenda de soberania e proteção dos recursos naturais.

A trajetória das negociações internacionais sobre a exploração de terras-raias também merece acompanhamento. Possíveis acordos comerciais ou mudanças nas posições diplomáticas brasileiras podem impactar significativamente a economia do país e sua capacidade de financiar programas sociais e investimentos em infraestrutura. Igualmente importante será monitorar pronunciamentos posteriores do presidente Lula em foros internacionais sobre esse tema específico.

Principais pontos:

• A campanha presidencial de Lula divulgou uma peça eleitoral que adapta a música "Lo Que Le Pasó a Hawaii", de Bad Bunny, para tratar de soberania e exploração de terras-raias brasileiras

• A faixa utilizada é integrante do álbum "Debí Tirar Más Fotos", vencedor do Grammy de Melhor Álbum do Ano em 2026

• O presidente defende que a exploração de terras-raias brasileiras deve gerar valor agregado, transferência tecnológica e abastecimento de setores estratégicos nacionais

• A estratégia reflete a posição brasileira de defesa da soberania em contexto de tensões comerciais com o governo norte-americano

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de Poder360 — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.poder360.com.br — o conteúdo pertence a Poder360.

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