Lula diz sentir 'saudades' de disputar eleições contra PSDB
O presidente Lula disse hoje, em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record, sentir "saudades" de eleições anteriores, quando, segundo ele, o nível dos candidatos era melhor do que atualmente.
Lula relembrou a primeira eleição presidencial que disputou, em 1989. "Se você comparar a disputa de hoje com a de 80, você vê que diminuiu a importância dos políticos", afirmou. Naquele ano, Lula concorreu com outros 21 candidatos, entre eles Fernando Collor de Mello, Leonel Brizola, Mário Covas, Paulo Maluf e Ulysses Guimarães. Lula também citou José Serra, Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso como bons oponentes.
O presidente criticou a lógica de busca por atenção e engajamento que, segundo ele, foi popularizada pela internet. "Hoje tem gente que acha que brincar ou lacrar na internet dá a ele o direito de ser presidente da República. Ser presidente é diferente, é tomar decisão sobre coisa séria."
Quando o assunto foi polarização, porém, Lula discordou que existam "dois Brasis". "Eu acho que não tem dois Brasis. Tem um momento histórico que estamos vivendo e que pode ser dissipado daqui a dois, três, quatro anos". Ele destacou país não tem um histórico de violência generalizada nas eleições.
Na sequência, Lula defendeu a participação dos eleitores na política, apesar das críticas. "Se você não gostava da política há 30 anos atrás, muito menos razão você tem para gostar agora. Mas o povo tem que votar porque a desgraça de quem não gosta de política é ser governado por quem gosta. E se quem gosta for uma minoria perversa, o povo será governado por essa minoria."
A entrevista também abordou a relação de Lula com os Estados Unidos, que ganhou novos desdobramentos nos últimos dias. Na semana passada, Lula ligou para o homônimo Donald Trump para negociações sobre a taxação dos EUA sobre produtos brasileiros. Na conversa, o petista teria dito que a taxação é "infundada".
Segundo o presidente, o objetivo é, em geral, manter uma relação "civilizada" com os norte-americanos. Ele disse ter a impressão de que a relação com Donald Trump pessoalmente é melhor do que com a assessoria do presidente norte-americano. "A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas, depois, o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis."
O presidente destacou, porém, a defesa da soberania brasileira. Segundo Lula, apesar dos esforços para manter uma boa relação com os EUA, "nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, nas coisas do Brasil".
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