Algoritmos, sexo e pornografia deram origem a ‘Muito Prazer’, revela Jorge Furtado
Desde o início, Muito Prazer tinha um assunto bem definido para o diretor Jorge Furtado , de Saneamento Básico, o Filme : os algoritmos.
A nova comédia do diretor já está em cartaz nos cinemas e parte de questões como sexo, tecnologia, pornografia e relacionamentos para investigar de que maneira sistemas criados para prever preferências podem também interferir na forma como as pessoas experimentam o desejo e o afeto.
Em entrevista à Rolling Stone Brasil , Furtado contou que essa reflexão estava no centro do projeto desde sua concepção.
Como surgiu a ideia para Muito Prazer ? A ideia surgiu da percepção de que os algoritmos já determinam uma série de escolhas cotidianas — do que comprar ao que assistir — sempre a partir daquilo que já foi feito anteriormente.
Para Furtado , existe aí uma contradição importante quando o assunto são sentimentos e desejos: “e se as pessoas não souberem exatamente o que querem?” O diretor compara essa lógica à experiência de procurar uma palavra em um dicionário de papel.
Antes da era digital, ao buscar determinado termo, era possível encontrar outras palavras pelo caminho e chegar a descobertas inesperadas.
Na internet, a busca é mais direta.
“ Você vai direto nela, então é um caminho um pouco mais pobre ”, afirmou.
A partir dessa diferença, Furtado passou a pensar em como a tecnologia poderia interferir na vida afetiva e sexual.
A pornografia também entrou nessa investigação.
Segundo o diretor, o consumo de conteúdo pornográfico pode funcionar como uma espécie de enorme levantamento sobre desejos humanos, já que cada acesso, escolha e rejeição produz dados sobre aquilo que as pessoas procuram.
Furtado citou pesquisas históricas sobre sexualidade, como os estudos de Masters e Johnson e o Relatório Hite , para explicar seu interesse em observar o comportamento sexual de forma mais ampla.
“ 70% dos homens no Brasil dizem que já entraram em sites pornô, enquanto as mulheres são 30%, é um público crescente, elas já são maioria em alguns países, inclusive “, revela o diretor.
Mas, em vez de transformar o tema em um estudo acadêmico, o diretor decidiu abordá-lo pela comédia.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em rollingstone.com.br — o conteúdo pertence a Rolling Stone Brasil.