Presidente da Bolívia destitui ministro da Economia após censura do Congresso
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, destituiu nesta sexta-feira (21) o ministro da Economia, depois que o Congresso o censurou por não comparecer a uma interpelação sobre sua gestão em meio a uma grave crise econômica.
A destituição de José Gabriel Espinoza ocorre enquanto a Bolívia atravessa sua pior turbulência econômica em quatro décadas, que o governo de centro-direita de Paz, eleito no ano passado, está sob pressão para resolver.
Paz anulou a nomeação de Espinoza e nomeou como seu substituto interino o atual ministro do Meio Ambiente, Óscar Mario Justiniano Pinto, segundo um decreto publicado no diário oficial.
Espinoza foi convocado na terça-feira ao Congresso, em La Paz, para responder sobre emissões de títulos soberanos e atrasos na elaboração do orçamento geral do Estado, entre outros temas. Mas comunicou que não poderia comparecer porque tinha viagens programadas para Santa Cruz (leste) e para o Brasil.
No mesmo dia, 91 dos 129 senadores e deputados presentes na sessão votaram a favor da remoção do ministro, o que obrigava o presidente a destituí-lo.
O governo de Paz considerou que não foram alcançados os dois terços dos votos necessários para retirar Espinoza do cargo, pois os membros da Assembleia são 166, e apresentou uma ação judicial perante o Tribunal Constitucional para questionar a decisão do Congresso.
Nesta sexta-feira, a Presidência comunicou que "o presidente acatou a decisão de destituir o ministro da Economia (...) enquanto aguarda a decisão" do mais alto órgão de Justiça do país.
O Tribunal Constitucional marcou audiência para examinar o caso em 24 de agosto.
A saída de Espinoza ocorre dias depois da detenção do assessor pessoal de Paz, o argentino Fernando Cerimedo, denunciado por sua ex-companheira por planejar um ataque armado contra ela.
Espinoza havia assumido em novembro de 2025, quando Paz chegou à Presidência e pôs fim a 20 anos de governos socialistas de Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025).
Em uma mudança em sua política externa, a Bolívia se aproximou dos Estados Unidos e das instituições multilaterais de crédito em busca de ajuda financeira.
Durante a gestão de Espinoza, foram obtidos programas de financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a CAF e o Fundo Monetário Internacional no valor de cerca de 9,5 bilhões de dólares (R$ 49 bilhões).
A Bolívia esgotou suas reservas internacionais em dólares para financiar uma política de subsídios aos combustíveis, uma bandeira dos governos socialistas, que Paz eliminou no fim de 2025.
Embora entre novembro e julho a inflação interanual tenha passado de 21% para 5%, a nação andina ainda enfrenta uma taxa de câmbio elevada, uma economia estagnada e uma crônica falta de combustíveis.
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