O que nova descoberta arqueológica revela sobre as relações entre os neandertais
O esqueleto parcial de um Neandertal encontrado em uma caverna no Iraque mostra evidências de violência e de compaixão na espécie irmã do Homo sapiens , segundo pesquisadores.
As descobertas são registradas no estudo intitulado “Evidências de comportamento funerário e trauma letal em um novo indivíduo neandertal da Caverna de Shanidar”, publicado nesta quinta-feira, 15, no periódico científico Scientific Reports.
Encontrado na caverna de Shanidar, na cordilheira de Zagros, no Curdistão iraquiano, o indivíduo foi batizado pelos cientistas de Shanidar A.
Com idade em torno dos 40 anos, apresentava um orifício circular de 15 mm de largura na escápula esquerda, que indicaria uma perfuração rápida e profunda, como as que matavam animais durante a caça.
A ferida parece ter sido causada por um ataque fatal com lança de madeira – tipo de arma que se sabe ter sido usada pelos neandertais.
Também há sinais de uma lesão anterior não fatal que pode ter motivado um ato de compaixão.
Arqueólogo da Universidade de Cambridge e coautor do estudo, Graeme Barker disse à Reuters que o cenário mais provável é a violência interpessoal, entre membros de um mesmo grupo ou entre rivais.
Barker lidera as escavações na caverna desde 2015.
Os ossos foram desenterrados de cerca de 7,5 metros de rochas e sedimentos e datam de aproximadamente 75.000 anos atrás.
Além da escápula, foram encontradas algumas costelas, uma mão direita quase completa e sete dentes.
Os dentes foram identificados como parte da mandíbula inferior, e podem ser evidência de que Shanidar A tenha sobrevivido a ferimentos brutais no rosto um ano antes da morte.
Com a perda dos dentes da frente, é provável que o indivíduo tenha sentido dor extrema e tenha precisado de ajuda dos membros do grupo para se alimentar e realizar outras necessidades básicas durante a recuperação, analisam os cientistas.
Continua após a publicidade “Observamos evidências de duas facetas contrastantes da natureza humana – cuidado e violência – justapostas no mesmo indivíduo”, disse a antropóloga Emma Pomeroy, também de Cambridge, à Reuters.
“Os neandertais eram como nós em muitos aspectos, tanto nos bons quanto nos ruins, e essa descoberta realmente evidencia isso, contrariando estereótipos de que os neandertais eram homens e mulheres das cavernas pouco inteligentes e insensíveis”.
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