Flávio fez o L pela escala 6×1 após pressão popular, diz ministro de Lula
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), questionou o compromisso do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, com o fim da escala de trabalho 6×1.
Nesta quarta-feira, 14, durante conversa com jornalistas no Senado, o ministro atribuiu a mudança de posicionamento do parlamentar à pressão exercida pela população e cobrou que o apoio seja confirmado na votação da proposta.“O Lula convenceu ele, né? Ele ‘fez o L’ porque todo mundo sabe que os senadores do PL nunca votaram a favor dessa matéria aqui, que a proposta deles era outra, não queriam aprovar essa PEC”, afirmou o ministro, em conversa com jornalistas no Senado.Guimarães disse que pretende acompanhar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para verificar se Flávio manterá a posição anunciada.
A matéria, que será votada pelo Senado nesta quarta-feira, prevê a redução progressiva da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.
A iniciativa tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).“As ruas e as redes obrigaram, e o Lula obrigou ele a ‘fazer o L’.
Mas eu estou aqui no plenário para ver se ele vai ‘fazer o L’ na hora do voto”, acrescentou.Ministro questiona compromisso do senador com a propostaA mudança de posição de Flávio Bolsonaro ocorreu na terça-feira, 13, depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Antes do anúncio, o senador criticava a iniciativa e classificava como “oportunista” a tentativa de Lula de acabar com a escala 6×1.Ao declarar que votaria favoravelmente à proposta, Flávio afirmou que atenderia à vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros.
O parlamentar, no entanto, defendeu que o governo ofereça compensação financeira às empresas pelos custos decorrentes da redução da jornada.
Para Guimarães, o posicionamento do senador não representa um compromisso efetivo com a mudança.
O ministro citou declarações de integrantes do PL sobre a intenção de modificar novamente a Constituição caso o grupo vença a eleição presidencial.“Eles dizem que vão votar favorável, mas ao mesmo tempo anunciam que no próximo ano, se ganharem a eleição — o que não vão ganhar —, vão mudar a Constituição novamente.
Portanto, não é pra valer.
É uma conversa fiada, porque viram que essa questão hoje unifica o país nas redes e nas ruas”, declarou.A possibilidade de apresentar uma alternativa à proposta em discussão no Senado continua nos planos do partido.
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