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Planejar antes da crise: o desenvolvimento urbano que as eleições de 2026 precisam discutir

Brasil de Fato ·
Planejar antes da crise: o desenvolvimento urbano que as eleições de 2026 precisam discutir

O Observatório das Metrópoles reúne pesquisadores sobre às cidades em todas as regiões do Brasil, tendo um núcleo na Região Metropolitana de São Paulo. As colunas são e tratam de temas como mobilidade, moradia, segurança e urbanismo. Um olhar crítico e propositivo sobre o desenvolvimento de São Paulo e sua região metropolitana, visando contribuir para um futuro urbano justo e sustentável.

As eleições de 2026 representam uma oportunidade para recolocar o planejamento urbano no centro do debate público. Em um país no qual 87,4% da população vive em áreas urbanas, discutir desenvolvimento urbano significa discutir como o Estado organiza o território, distribui infraestrutura, enfrenta desigualdades e prepara os municípios para desafios. Ainda assim, o debate eleitoral costuma se concentrar na promessa de obras locais, deixando em segundo plano uma pergunta decisiva: que cidades estamos construindo para as próximas gerações?

As mudanças climáticas e a intensificação de eventos extremos evidenciam que o modelo atual de urbanização já não responde às necessidades contemporâneas. Enchentes, movimentos de massa, ondas de calor e déficits de infraestrutura não decorrem apenas de fenômenos naturais, mas da interação entre ameaças, exposição, vulnerabilidades sociais e escolhas históricas sobre o uso da terra. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alerta que a urbanização pode ampliar a exposição e a vulnerabilidade de pessoas e infraestruturas aos perigos climáticos.

Os desastres revelam as limitações estruturais originadas desde como as cidades brasileiras foram produzidas e continuam sendo planejadas. A pobreza, desigualdade, urbanização acelerada, degradação ambiental e ausência de propostas sobre redução de riscos nas políticas territoriais favorecem a construção social do risco (UNDRR, 2017). Quando parte da população é direcionada para encostas instáveis, planícies de inundação ou áreas sem infraestrutura, o risco passa a expressar as desigualdades que organizam o espaço urbano.

Nesse contexto, planejar antes da crise significa adotar uma perspectiva preventiva, capaz de integrar planejamento territorial, habitação, mobilidade, saneamento, adaptação climática e gestão de riscos. Essa articulação está prevista na Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, que determina a integração da prevenção de desastres com as políticas de ordenamento territorial, desenvolvimento urbano, habitação, infraestrutura, meio ambiente e mudanças climáticas.

A urbanização brasileira foi acelerada, desigual e seletiva. Enquanto áreas centrais e valorizadas concentraram infraestrutura, serviços e investimentos públicos, grande parte da população de baixa renda foi direcionada para periferias distantes, assentamentos precários e terrenos pouco adequados à ocupação. Encostas, várzeas, fundos de vale e áreas sem drenagem ou saneamento passaram a expressar territorialmente desigualdades.

Esse padrão não pertence apenas ao passado. As cidades continuam se expandindo por meio de decisões fragmentadas sobre habitação, mobilidade, saneamento, meio ambiente e redução de riscos.

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