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Trump concentra ataques pessoais em mulheres jornalistas, aponta monitor

Folha de S.Paulo ·
Trump concentra ataques pessoais em mulheres jornalistas, aponta monitor

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" Você é péssima ." "Sua rede e você são os piores." "Ela é uma perseguidora." "Uma pessoa pouco atraente por dentro e por fora." "Você alguma vez sorri? Sorria."

As frases, disparadas por Donald Trump contra diferentes jornalistas, fazem parte de uma série de ataques públicos do presidente americano a profissionais da imprensa. Em sua maioria, mulheres.

Os episódios são acompanhados pela International Women’s Media Foundation (IWMF), organização baseada em Washington que documenta, por meio do monitor On The Record , o que classifica como ataques misóginos de Trump e integrantes de seu governo contra mulheres jornalistas.

Desde 2015, a entidade contabilizou 33 ocorrências, 17 delas apenas em 2026. Em metade dos casos registrados pelo monitor, os alvos eram mulheres não brancas. A lista reúne desde respostas ríspidas durante entrevistas até publicações em redes sociais com referências à aparência, à inteligência ou ao comportamento das jornalistas.

Em um dos episódios deste ano, Trump chamou a repórter Maggie Haberman, do New York Times, de "pouco atraente por dentro e por fora" e "perseguidora"; perguntou repetidamente à jornalista Kaitlan Collins, da CNN, por que ela não sorria; e afirmou que Kristen Welker, da NBC News, deveria ser denunciada à Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) para ser "repreendida ou punida".

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Questionado por uma repórter se tentava intimidar a imprensa, Trump negou. "Não, não, não", respondeu, antes de atacar a próprio jornalista: "Eu não gosto de imprensa desonesta como você. Acho você péssima." O presidente afirmou ainda que acredita ter o direito de manter determinados veículos afastados caso considere que publiquem informações falsas repetidamente.

Para Elisa Lees Muñoz, presidente da IWMF, porém, há uma diferença entre a forma como Trump reage a jornalistas homens e mulheres quando é confrontado com perguntas de que não gosta. Segundo Muñoz, ao analisar os episódios envolvendo homens, a organização encontrou apenas "um punhado" de ocasiões em que Trump recorreu a ataques pessoais como "você é idiota" ou "você é burro". "Esse tipo de linguagem pessoal é muito raro", afirmou ela à Folha .

Muñoz diz que a IWMF começou a acompanhar os episódios porque percebeu, ainda no primeiro mandato de Trump, que muitos dos ataques contra mulheres não se limitavam ao conteúdo de suas reportagens ou perguntas, mas também à aparência delas e com questionamentos a sua inteligência.

Na avaliação da presidente da entidade, os insultos funcionam também como uma maneira de tirar o foco da pergunta feita ao presidente. "Eu acho que é uma estratégia, e a maneira como ele a executa é usando esses estereótipos misóginos", afirmou.

Foi justamente esse padrão, segundo Muñoz, que levou a organização a criar o monitor. Ela afirma que episódios desse tipo costumavam ser noticiados isoladamente, sem que se observasse o conjunto.

"Para nós, a história é muito mais profunda. Queríamos mostrar esse padrão", disse.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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