Saúde recomenda vacina contra HPV para crianças a partir dos 2 anos
O Ministério da Saúde passou a recomendar a vacinação contra o HPV para crianças a partir dos 2 anos de idade que sofreram violência sexual.
A nova orientação amplia a estratégia de prevenção da infecção pelo vírus e altera a recomendação adotada no Brasil desde 2023, quando a imunização nesses casos era indicada para mulheres e homens de 9 a 45 anos.
A revisão do protocolo ocorre em um cenário de crescimento dos registros de violência sexual contra crianças e adolescentes.
Dados do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram que as notificações de abuso na primeira infância, entre 0 e 4 anos, passaram de 1.671, em 2014, para 7.845, em 2024.
O número representa um aumento de mais de quatro vezes em uma década.
Leia também: Nem todo HPV é igual: entenda por que identificar o tipo do vírus pode fazer diferença no tratamento A dimensão do problema também aparece nos registros mais recentes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
Em 2025, foram registradas 59.887 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes em todo o país.
A ampliação da vacinação busca responder a esse cenário ao incorporar crianças mais novas à estratégia de prevenção do HPV após episódios de abuso.
A infecção pelo vírus está associada a diferentes tipos de câncer, como os de colo do útero, ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe, e a vacinação é uma das principais formas de prevenção.
A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, avalia que a ampliação da vacinação também responde ao aumento dos casos de estupro de vulnerável registrados nos últimos anos.
Segundo ela, o crescimento das ocorrências envolvendo crianças pequenas reforçou a necessidade de rever a faixa etária para a imunização.
"Estamos tendo um número muito significativo e crescente nos últimos anos de violação sexual contra crianças pequenas", afirma.
Leia também: Projeto amplia vacinação contra HPV e prevenção do câncer no SUS Mônica ressalta que a vacina contra o HPV não funciona como tratamento após o abuso, ou seja, não tem efeito de profilaxia pós-exposição nem elimina uma eventual infecção já adquirida.
O imunizante protege contra os tipos do vírus aos quais a criança ainda não foi exposta e pode reduzir o risco de infecções futuras.
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