Museu Goeldi 160 anos: Diretor alerta para risco de “retorno ao negacionismo” e defende reeleição de Lula
Na cerimônia de comemoração dos 160 anos do Museu Paraense Emilio Goeldi, nessa quinta-feira (15) em Belém (PA), o diretor da instituição científica, Nilson Gabas Jr., elencou os riscos de não reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a ciência, a preservação ambiental e para o país.
Em seu discurso, no palco do Theatro da Paz, ele afirmou que “não podemos nos fechar em uma celebração alienada do contexto histórico e político que nós atravessamos”.
“Olhamos para o horizonte e vemos que a decisão do nosso futuro coletivo se aproxima, ali na esquina.
A depender do resultado das próximas eleições presidenciais, paira sobre nós a sombra concreta do retorno ao negacionismo científico e da reabertura da porteira para a degradação ambiental e social.” O cientista disse que “corremos o risco de ver o recrudescimento dos altíssimos índices de desmatamento e queimadas, não apenas na Amazônia, mas nos outros biomas, como Pantanal, Cerrado, Semiárido e Caatinga”.
“Além disso, o bloqueio de recursos cruciais relacionados à proteção do meio ambiente, como os recursos provenientes do Fundo Amazônia.
Nós estamos falando aqui de 5 bilhões de reais.
E episódios lamentáveis de depredação e depreciação do patrimônio científico e educacional, como os graves acontecimentos registrados na Universidade Federal de Pernambuco e na Universidade Federal de Alagoas”.
Para o diretor, “essa ameaça não atinge apenas estruturas físicas”.
“Ela coloca em risco a continuidade do caminho de sucesso do Museu Goeldi e de todas as instituições de ensino em pesquisa, sobretudo na Amazônia.” E continuou: “Está ameaçada nossa capacidade de produzir conhecimento soberano, de formar quadros técnicos e científicos, de impulsionar o uso sustentável da biodiversidade e de garantir o respeito e a permanência da rica diversidade cultural das nossas populações caboclas, ribeirinhas, quilombolas e indígenas e de promover o seu desenvolvimento através de tecnologias sustentáveis”.
Emocionado, o diretor disse que “apesar da gravidade do momento, eu encerro este pronunciamento exaltando e proclamando a virtude que nos trouxe até aqui: a esperança”.
“O museu, que atravessou impérios, repúblicas, crises econômicas globais e pandemias ao longo de 160 anos, carrega em sua essência a semente da resistência.
Haveremos de passar por esse momento decisivo, com profunda lucidez, consciência crítica e união.” Ao final, o público presente, formado pelo corpo técnico-científico da instituição, colaboradores terceirizados, aposentados, parceiros e autoridades, respondeu fazendo o L e cantando o famoso “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”.
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