Augusto Cury ameaça Lula e Flávio Bolsonaro? O negócio da antipolítica em 2026
A ideia nasceu numa mesa de bar.
O jornalista Itaboraí Martins, do Estado de S.
Paulo, resolveu lançar Cacareco para vereadora de São Paulo.
Gráficas imprimiram santinhos e muros amanheceram pichados.
Alguém escreveu a quadrinha que circulou pela cidade: “ Cansados de tanto sofrer / E de levar peteleco / Vamos agora responder / Votando no CACARECO.
“ Cacareco, no caso, era uma rinoceronte emprestada ao novo zoológico paulistano pelo prefeito do Distrito Federal.
Na eleição de outubro de 1959, Cacareco teve cerca de cem mil votos, enquanto o vereador (humano) mais votado recebeu 10.214.
A revista Time publicou a frase incisiva de um eleitor paulistano: “melhor eleger um rinoceronte do que um asno”.
Em 1988, os humoristas da Casseta Popular repetiram a dose no Rio com o chimpanzé Tião, que fez 400 mil votos e teria terminado em terceiro na disputa pela prefeitura.
Não era uma forma trivial de protesto.
O eleitor precisava saber do que se tratava, lembrar o nome do animal diante da urna, preencher a cédula à mão e sacrificar o próprio voto sabendo que seria anulado.
A partir de 1996, com a implementação gradual da urna eletrônica, o voto de protesto perdeu uma de suas formas de expressão mais orgânicas.
Para disputar uma eleição, passou a ser preciso um candidato de carne e osso com registro no Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, filiação partidária e uma estrutura mínima de campanha.
A antipolítica, em outras palavras, precisou se organizar sem deixar de chamar atenção.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.intercept.com.br — o conteúdo pertence a Intercept Brasil.