Para impedir alta do petróleo, Trump desiste de sanções comerciais à Rússia
Em uma medida capaz de embaralhar as peças do tabuleiro geopolítico em torno da guerra na Ucrânia, Donald Trump decidiu isentar a Rússia de tarifas aprovadas pelo Congresso americano, apenas dois dias depois delas entrarem em vigor.
Como era de se esperar, a decisão desencadeou reações opostas dos dois lados da trincheira.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que vinha fazendo críticas à aproximação de Trump à Rússia, voltou à carga pelas redes sociais: “Que os EUA abram mão das sanções, que se alivie a pressão sobre o agressor e que Putin seja recompensado financeiramente só serve para encorajá-lo a continuar atacando”.
Kirill Dmitriev, enviado de Putin para negociar o futuro da guerra com Steve Witkoff e Jared Kushner (genro de Trump), comemorou.
“A suspensão por parte da administração Trump da Lei Graham é um momento importante e realmente histórico”, escreveu ele, referindo-se à que trata das sanções comerciais, escrita por Lindsey Graham.
O texto, aprovado com apoio de Republicanos e Democratas, busca asfixiar a Rússia financeiramente e amplia as tarifas para quem fizer transações comerciais com o país comandado por Putin.
Trump tinha 30 dias para impor sanções de 100% sobre todos os produtos dos cinco maiores compradores de petróleo russo, entre eles China e Índia, e de até 500% sobre as importações americanas da Rússia.
Continua após a publicidade Com a popularidade em baixa a 15 dias das eleições de meio de mandato, porém, o presidente americano teme os impactos que as medidas podem trazer no cenário econômico interno.
O recuo apenas suspende as aplicações, mas não impede que o dispositivo comercial seja acionado em outro momento.
A caneta do presidente americano ajudou a promover alta dos preços da energia.
A guerra de EUA e Israel contra o Irã desde fevereiro fez os preços dos combustíveis dispararem, impactando no valor de praticamente todos os outros produtos, por conta do aumento no valor do frete.
Semana passada, Trump firmou um acordo com Putin para importar diesel da Rússia, aliviando a economia do país.
Continua após a publicidade “Agora podemos ver como o dinheiro começará a voltar a fluir para a Rússia por meio do acordo sobre o diesel.
Isso colocará mais dinheiro diretamente no bolso de Putin para financiar esta guerra”, afirmou Zelensky, na Bélgica.
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