Iraque condena homem a 15 anos por sequestro de jornalista dos EUA
O Tribunal Criminal Central do Iraque condenou Amir Rahim Jabbar Lazim a 15 anos de prisão pelo sequestro da jornalista americana Shelly Kittelson, em Bagdá, em março deste ano. A informação foi divulgada hoje por Shelly em seu perfil no X.
Lazim foi condenado sob a Lei Antiterrorismo iraquiana. A decisão leva em consideração sua participação no sequestro de Shelly, em 31 de março de 2026, na região de al-Saadoun, na capital do país. A jornalista afirmou que ele era um dos homens armados que a mantiveram refém.
Shelly foi libertada no início de abril de 2026 e, hoje, agradeceu à Justiça iraquiana pela atenção ao caso. "Sou grata ao Judiciário iraquiano pela atenção ao meu caso, assim como a todos que ajudaram a me tirar viva de lá", escreveu ela. "E, claro, àqueles que amam o Iraque tanto quanto eu e se empenham em construir um futuro melhor para o país. Agradeço do fundo do meu coração".
Lazim está preso desde abril de 2026, mas outras pessoas participaram do crime. Segundo o jornal israelense The Jerusalem Post, uma testemunha relatou que, no momento da captura, três homens cercaram Shelly e que um deles a agarrou por trás.
Os Estados Unidos relacionaram o sequestro ao Kataib Hezbollah, uma das mais poderosas milícias apoiadas pelo Irã no Iraque. O grupo integra as Forças de Mobilização Popular, organização paramilitar, e é classificado pelos EUA como terrorista.
A condenação é incomum porque o Iraque raramente processa integrantes dessas milícias. Integrantes dos grupos já foram detidos pelas autoridades iraquianas, mas costumam ser libertados.
O governo iraquiano enfrenta pressão para controlar e desarmar as milícias, após incentivo dos EUA. Esses grupos são associados a casos de sequestro e assassinato no país.
O Kataib Hezbollah também foi apontado como responsável pelo sequestro da pesquisadora Elizabeth Tsurkov, da Universidade de Princeton, em março de 2023. Ela foi libertada em setembro de 2025.
Em 2020, homens armados assassinaram o jornalista e especialista em segurança Hisham al-Hashimi diante de sua casa, em Bagdá. O crime ocorreu no bairro de Zeyouneh.
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