Nasa tenta prolongar vida das sondas Voyager, lançadas há quase 50 anos
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Nshan Kazaryan, engenheiro da Nasa responsável pela comunicação com as sondas espaciais Voyager 1 e Voyager 2, é mais jovem do que as próprias naves com as quais conversa.
Aos 25 anos, ele faz parte de uma nova geração de engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, na Califórnia (EUA), que trabalha para manter em operação as naves já muito antigas, mas resistentes.
"À medida que uma pessoa envelhece, passa a ter problemas. Com uma nave espacial é parecido. Quanto mais velha fica, mais problemas surgem." Nem sequer os pais de Kazaryan haviam nascido quando as Voyager foram lançadas, em 1977.
Trabalhar com essas naves envelhecidas exige engenhosidade, persistência e paciência.
Cada vez que Kazaryan envia um comando a uma das sondas Voyager, ele precisa esperar alguns dias por uma resposta.
Esse é o tempo que um sinal de rádio leva para fazer o trajeto de ida e volta. A Voyager 1 está a quase 25,7 bilhões de quilômetros de distância; a Voyager 2 está um pouco mais perto, a 21,4 bilhões de quilômetros. Ainda assim, isso equivale a mais de quatro vezes a distância até Plutão.
Já se passaram décadas desde o auge das sondas Voyager, quando elas sobrevoaram os planetas gigantes, enviando de volta fotografias de cenários deslumbrantes, entre os quais as nuvens avermelhadas que giram em torno da Grande Mancha Vermelha de Júpiter e os anéis de Saturno.
Afastando-se a 48.280 quilômetros por hora, as sondas gêmeas chegaram mais longe da Terra do que qualquer outra criação humana. A Voyager 1 entrou no espaço interestelar em 2012, e a Voyager 2 cruzou essa fronteira seis anos depois.
Os cientistas querem que elas continuem coletando, pelo maior tempo possível, observações sobre o que existe entre as estrelas. Mas essa tarefa está se tornando cada vez mais difícil e, dentro de alguns anos, será impossível, à medida que a energia das baterias de plutônio das espaçonaves diminui. Para mantê-las em funcionamento, os engenheiros precisam correr riscos.
"Somos como piratas", disse Kareem Badaruddin, gerente da missão Voyager. "Ninguém gosta de operar tão perto do limite, mas já nos sentimos bastante à vontade com isso, porque é a nossa única opção."
Em um feito no mês passado, a equipe conseguiu realizar o que chama de "Big Bang" na Voyager 2: um remanejamento dos sistemas elétricos que permitiu economizar cerca de 10 watts de potência. Esse pequeno ganho, suficiente para alimentar uma ou duas lâmpadas, pode prolongar a missão em aproximadamente dois anos, levando-a até 2031.
Nas próximas semanas, os engenheiros concluirão o processo de rejuvenescimento da Voyager 1, na esperança de que possa continuar funcionando até 2030.
Mais alguns anos podem não parecer muita coisa, mas cada dia traz a possibilidade de uma descoberta. Em comparação com as partículas que o Sol expele para o nosso Sistema Solar, o espaço interestelar contém "uma mistura diferente de gases e apresenta um comportamento distinto", disse o vice-cientista do projeto, Jamie Rankin, da Universidade de Princeton.
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