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Em uma baía francesa onde a diferença entre maré alta e baixa pode ultrapassar uma dezena de metros, uma passagem construída sobre pilares permite que a água circule livremente para evitar que uma famosa ilha histórica fique permanentemente ligada ao continente

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Em uma baía francesa onde a diferença entre maré alta e baixa pode ultrapassar uma dezena de metros, uma passagem construída sobre pilares permite que a água circule livremente para evitar que uma famosa ilha histórica fique permanentemente ligada ao continente

Uma ponte elevada e um sistema hidráulico no rio Couesnon ajudam as marés a remover sedimentos e preservar o caráter insular do monumento francês

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Na Normandia, uma das paisagens históricas mais famosas da França depende de um equilíbrio delicado entre arquitetura, marés e sedimentos. O Mont-Saint-Michel pode voltar a ficar completamente cercado pela água durante grandes marés, cuja amplitude na baía chega a aproximadamente 15 metros. Para preservar esse caráter insular, uma antiga estrada-dique foi substituída por uma passagem elevada que permite à água circular novamente ao redor do rochedo.

A baía naturalmente acumula e movimenta enormes quantidades de sedimentos. Entretanto, intervenções humanas realizadas ao longo dos séculos alteraram essa dinâmica. Entre elas estava a estrada-dique construída em 1879, que fornecia acesso permanente ao rochedo, mas também funcionava como obstáculo físico ao fluxo da água próximo ao monumento.

Com o tempo, areia e outros sedimentos passaram a se acumular nos arredores, favorecendo a expansão de áreas secas e vegetadas. Na década de 1990, autoridades francesas desenvolveram um amplo projeto de restauração do caráter marítimo, buscando impedir que o monumento acabasse cada vez mais incorporado à paisagem continental.

A antiga ligação era uma estrutura praticamente contínua entre o continente e o rochedo. Ao contrário de uma ponte apoiada sobre pilares espaçados, ela restringia a circulação das correntes através daquele trecho da baía, dificultando a redistribuição natural de parte dos sedimentos transportados pelas marés e pelo rio Couesnon.

Este vídeo do próprio estabelecimento público responsável pelo local explica como o sistema hidráulico foi criado para combater o assoreamento e recuperar o caráter marítimo da área.

Inaugurada em 2014, a atual ponte-passarela substituiu a barreira contínua por uma estrutura esbelta sustentada sobre pilares. Os vãos abaixo do tabuleiro permitem que água e sedimentos atravessem a região durante a subida e a descida das marés, reduzindo a interferência causada pela antiga ligação terrestre.

A passagem faz parte de um acesso com aproximadamente 2,2 quilômetros desde o continente e permanece utilizável na maior parte do tempo. Durante algumas grandes marés, porém, a água cobre a esplanada final e o monumento volta efetivamente a se transformar em uma ilha por cerca de uma hora.

A ponte sozinha não seria suficiente para controlar o assoreamento. Um novo barrage foi construído no Couesnon entre 2006 e 2009 para armazenar água durante determinados momentos da maré e liberá-la posteriormente de maneira controlada, aumentando a capacidade do rio de transportar sedimentos para longe das proximidades do rochedo.

Durante grandes marés, o sistema pode armazenar até cerca de 1,4 milhão de metros cúbicos de água considerando o Couesnon e áreas hidráulicas associadas.

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