Como a Rússia confisca casas na Ucrânia ocupada: 'Não temos para onde voltar'
Animações ativadas Animações desativadas Como a Rússia confisca casas na Ucrânia ocupada: 'Não temos para onde voltar' por Olga Robinson, Christine Jeavans, Matt Murphy, Yana Lyushnevskaya e Yaroslava Kiryukhina 14 de agosto de 2026 BBC Verify e BBC News Rússia Há quatro anos, quando fugiu de sua casa na região da Ucrânia ocupada por tropas russas, o pastor evangélico Ihor Ivashchuk pediu a um amigo de longa data que morasse no imóvel e cuidasse dele até que ele pudesse voltar em segurança.
Mas quando o amigo ligou para dizer que um homem de uniforme militar havia aparecido à porta perguntando quem era o proprietário da casa e pedindo para ver os documentos do imóvel, Ivashchuk soube que provavelmente havia perdido o imóvel. O pastor foi forçado a deixar Melitopol, cidade ocupada no sul da Ucrânia, em setembro de 2022, em parte para que a esposa pudesse receber tratamento médico. Naquela época, soldados russos armados com fuzis de assalto já haviam invadido a igreja onde atuava durante um culto, assustando os fiéis. Ele passou os dois anos seguintes reconstruindo a vida em outra região da Ucrânia, fora do controle de Moscou. Mas já havia ouvido relatos de que o governo russo confiscava imóveis nos territórios ocupados e os redistribuía a cidadãos russos. A ligação sobre sua própria casa, no fim de 2024, não foi uma surpresa. Poucos meses depois, segundo ele, seu amigo foi despejado, e a casa — que Ivashchuk levou mais de 20 anos para reformar com as próprias mãos — já não era mais dele.
Ihor Ivashchuk Ihor Ivashchuk fala à sua congregação antes de deixar Melitopol Ihor Ivashchuk Um soldado russo interrompe um culto na Igreja da Graça em 2022 A história de Ivashchuk é apenas uma entre milhares na Ucrânia ocupada, onde a Rússia instalou autoridades para administrar as partes que controla em quatro regiões anexadas ilegalmente: Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporíjia. Uma investigação conjunta da BBC Verify, serviço de verificação da BBC, e da BBC News Rússia analisou centenas de registros e constatou que, desde 2024, 34.002 imóveis pertencentes a cidadãos ucranianos — entre apartamentos, casas e residências de temporada — foram confiscados ou incluídos em listas para confisco, a fim de serem destinados a cidadãos russos. Em alguns casos, esses imóveis podem ser cedidos temporariamente a autoridades locais, como juízes, militares e funcionários públicos. As autoridades instaladas na região pela Rússia também miraram milhares de empresas, como escritórios e hotéis, mas esses casos não foram incluídos na contagem da investigação da BBC Verify e da BBC News Rússia. Os cidadãos ucranianos raramente são avisados quando seus imóveis entram na mira das autoridades. Em vez disso, precisam vasculhar registros online de propriedades que as autoridades russas declararam como “sem proprietário” ou “potencialmente sem proprietário” para verificar se seus imóveis constam na lista.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bbc.com — o conteúdo pertence a BBC News Brasil.